Pressão: 2 bar
Impulsos: 2500
Frequência: 10-12 Hz
Aplicador: 15 mm
Somatório da dose de densidade de fluxo de energia total: 103 mJ/mm²
Número de sessões: 3 (1 por semana)
A tendinite calcificante do ombro é uma patologia dolorosa, aguda ou crónica, caracterizada pela presença de calcificações nos tendões da cota rotadora.
O seu principal sintoma clínico é a dor no ombro ao elevar o braço acima da linha do ombro, podendo a dor ser suficientemente intensa para despertar o paciente. Outras queixas que podem surgir incluem:
Fraqueza;
Rigidez;
Estalidos ou bloqueios no ombro.
O diagnóstico da patologia baseia-se nos sintomas clínicos e em exames de imagem. Na maioria dos casos, as calcificações localizam-se no tendão supraespinhoso (51%–90%) e, com menor frequência, no tendão subescapular (3%).
Muitos detalhes sobre a etiologia desta patologia permanecem ainda desconhecidos. Existe a hipótese de que este problema esteja relacionado com a fibrose e necrose induzidas pela hipovascularização do tendão, com a consequente degeneração do mesmo. As características dos depósitos de cálcio assintomáticos previamente existentes podem alterar-se devido a episódios traumáticos ligeiros, originando sintomas agudos. A patologia também pode derivar de uma irritação mecânica produzida pelos depósitos quando o braço se afasta do plano médio do corpo e os depósitos impactam no acrómio.
Geralmente, esta doença apresenta-se em quatro etapas:
Etapa pré-cálcica (normalmente assintomática): envolve a metaplasia fibrocartilaginosa no tendão;
Etapa de formação (com ou sem dor): com depósitos de cálcio que se formam na matriz fibrocartilaginosa;
Fase de reabsorção (dor intensa): com depósitos que desaparecem através de uma reabsorção mediada por células (resposta inflamatória);
Etapa final (com ou sem dor): implica a cicatrização e reparação da cota rotadora. É importante destacar que este ciclo pode estagnar em qualquer uma das fases, sob a forma de tendinite calcificante crónica.
Este problema afeta aproximadamente 3% da população saudável e cerca de 7% dos indivíduos afetados por dores no ombro. A faixa etária com maior incidência situa-se entre os 30 e os 50 anos, sendo a incidência entre as mulheres o dobro da registada nos homens.
À partida, o tratamento inicial deverá ser conservador, consistindo em repouso, fisioterapia e medicação anti-inflamatória não esteroide. Em etapas mais avançadas, seria conveniente considerar a terapia de ondas de choque radiais (embora nunca na fase de reabsorção) ou uma infiltração subacromial de corticosteroides. Nos casos mais persistentes de tendinite calcificante do ombro, deverá considerar-se a intervenção cirúrgica.
ESTUDOS
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Gremion G, Augros R, Gobelet C, et al. Efficacité de la thérapie par ondes de choc extra corporelles dans les tendinites calcifiantes de l’épaule 2000
Profundidade de penetração: 10-25 mm
Densidade de fluxo de energia total por emissão de onda de choque: 0,077-0,317 mJ/mm²
N.º de sessões: 3-5 (1 por semana)
Frequência: 8 Hz
Impulsos: 2000-2500
A tendinose calcificante é uma causa comum de dor no ombro, especialmente em pessoas com idades compreendidas entre os 30 e os 60 anos. A etiologia da patologia ainda não foi totalmente esclarecida. As calcificações desenvolvem-se nos tendões da cota rotadora e, tipicamente, atravessam etapas definidas ou ciclos evolutivos. Os músculos supraespinhoso e infraespinhoso são os mais afetados.
É estabelecida uma distinção entre a fase aguda e a crónica:
Fase inicial: os pacientes reportam dor apenas ao realizar determinados movimentos, particularmente movimentos circulares ou ao elevar o braço acima da cabeça — movimentos nos quais a cota rotadora desempenha um papel fundamental.
Etapas posteriores: os pacientes podem experienciar dor mesmo em repouso.
Os episódios intermitentes de dor aguda são típicos da tendinite calcificante do ombro. O tratamento com ondas de choque focadas tornou-se uma terapia ESWT estabelecida para esta condição.
ESTUDOS
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