Pressão: 3 bar
Impulsos: 1000
Frequência: 5-10 Hz
Aplicador: 36 mm
Somatório da dose de densidade de fluxo de energia total: 23 mJ/mm²
Número de sessões: 10 (2 por semana)
O linfedema pode ser primário ou secundário. O primário é uma malformação linfática que se desenvolve durante a última etapa da linfangiogénese. Pelo contrário, o linfedema secundário é o resultado de uma interrupção ou da obstrução do sistema linfático.
O linfedema secundário pode surgir como consequência de tumores, intervenções cirúrgicas, infeções, inflamações, tratamentos de radioterapia e traumas. Trata-se de uma das complicações mais importantes que surgem após o tratamento cirúrgico de um cancro da mama, apresentando um impacto significativo na qualidade de vida. Uma quantidade considerável de mulheres desenvolve um linfedema secundário após a extirpação de um cancro da mama, sendo a sua incidência de entre 6% e 63%, dependendo da população estudada, dos parâmetros de medição utilizados e da duração do acompanhamento.
O linfedema divide-se em três fases:
Fase IA (linfedema latente): decorre sem evidências clínicas de edema, mas com uma deterioração da capacidade de transporte linfático.
Fase IB (linfedema inicial): caracteriza-se por um edema que se reduz total ou parcialmente em posição de repouso e drenagem.
Fase IIA (aumento do linfedema): observa-se o desaparecimento da capacidade de transporte da linfa e surgem alterações fibroindurativas na pele.
Fase IIB (linfedema fibroso com forma de coluna nos membros): apresenta-se com alterações linfostáticas na pele e agravamento da incapacidade.
Fase IIIA (elefantíase): observam-se paquidermite escleroindurativa e verrucose linfostática papilomatosa, juntamente com uma incapacidade que coloca em risco a vida.
Fase IIIB: consiste numa elefantíase extrema com uma total incapacidade.
O diagnóstico do linfedema baseia-se nas características clínicas da doença (medição da circunferência da extremidade antes e depois da cirurgia, onde uma diferença superior a 2 cm indica o desenvolvimento de um linfedema). Deve-se considerar o diagnóstico por imagem (radiografias simples, ecografia duplex, linfocintigrafia isotópica e outras modalidades de exames de imagem) para descartar outras causas para o aumento da circunferência das extremidades, ou para confirmar o diagnóstico de linfedema em caso de dúvida.
O tratamento deve começar com a drenagem linfática manual e a terapia descongestiva linfática centrada na ligadura de compressão. Uma alternativa é a compressão pneumática intermitente sequencial com dispositivos de bombagem. A terapia de ondas de choque radiais (rESWT®) demonstrou a sua eficácia no tratamento das fases IIA e IIB do linfedema. A cirurgia deve ser considerada nos casos recalcitrantes de linfedema que não respondam, ou respondam mal, às opções de tratamento mencionadas. As opções cirúrgicas incluem a anastomose de derivação linfo-venosa ou linfo-venoso-linfática, a interposição segmentar linfo-linfática, o transplante livre de gânglios linfáticos e a cirurgia de ablação no caso de alterações massivas nas extremidades ou de induração fibrótica.
ESTUDOS
Michelini S, Failla A, Moneta G, et al. Treatment of primary and secondary lymphedema with shockwave therapy. Eur J lymphol 2008; 19:10.