Pressão: 2 bar
Impulsos: 2000
Frequência (Hz): 10-12 Hz
Aplicador (mm): 15 mm
Somatório da dose de densidade de fluxo de energia total: 103 mJ/mm²
Número de sessões: 3 (1 por semana)
A doença de Peyronie ou induratio penis plastica, é uma curvatura adquirida do pénis que pode causar disfunção erétil. Quando se manifesta, a dor ocorre na fase inicial de progressão da doença e tende a diminuir com o passar do tempo.
Esta patologia é diagnosticada com base nos seus sintomas clínicos. À escala microscópica, a doença caracteriza-se pela formação de depósitos de colagénio e de fibrina, bem como por uma redução das fibras elásticas, o que resulta na formação de uma placa na túnica albugínea. Esta cicatrização do pénis conduz à sua curvatura durante a ereção.
Propôs-se que a doença de Peyronie se deve à cicatrização anómala de uma ferida, e que a formação de depósitos de colagénio e de fibrina poderá ser o resultado de microtraumatismos. Esta tese é apoiada pela descoberta de que um traumatismo nos tecidos moles pode causar um aumento dos níveis do fator de crescimento transformador β1 (TGF-β1), o que potencialmente poderia dar origem a uma cascata pró-inflamatória e pró-fibrótica, com a posterior formação de depósitos de colagénio. No entanto, não existem ainda critérios unificados sobre a fisiopatologia do processo da doença.
A incidência na população masculina situa-se aproximadamente entre 1% e 3%, com um pico de incidência entre os 40 e os 70 anos de idade. Entre 20% e 40% dos homens que sofrem da doença de Peyronie apresentam disfunção erétil, estimando-se que a patologia tenha efeitos psicológicos significativos em até 77% dos afetados. É de salientar que o número de pacientes com a doença de Peyronie parece ter aumentado desde o surgimento do sildenafil oral (Viagra).
Devido à ausência de critérios unificados sobre a patofisiologia da doença, as medidas terapêuticas não têm proporcionado aos pacientes resultados fiáveis nem uma resolução definitiva dos seus sintomas. Todas as abordagens terapêuticas utilizadas atualmente visam a manipulação de alguns componentes da cicatrização de feridas. Entre estas, encontram-se a suplementação oral com vitamina E, ácidos gordos ómega-3 e a coenzima antioxidante Q10, bem como a pentoxifilina (um inibidor não específico da fosfodiesterase, com propriedades antifibróticas e anti-inflamatórias). Outras estratégias terapêuticas incluem: a aplicação tópica de verapamil, trifluoperazina ou sulfato de magnésio; a iontoforese; a injeção intralesional de corticosteroides, colagenase, verapamil ou interferão alfa; a radioterapia e a terapia de tração peniana.
Recentemente, a terapia de ondas de choque radiais (RSWT®) demonstrou ser eficaz no tratamento da doença de Peyronie. Embora os mecanismos moleculares e celulares específicos da ação da RSWT® sobre esta patologia ainda não sejam totalmente conhecidos, é razoável supor que estejam relacionados com os efeitos benéficos comprovados da RSWT® na cicatrização de feridas.
ESTUDOS
Palmieri A, Imbimbo C, Longo n, et al. A first prospective, randomized, double-blind, placebo-controlled clinical trial evaluating extracorporeal shock wave therapy for the treatment of Peyronie’s disease. Eur urol 2009; 56: 363-369. Consultar estudo.
Tratamento com o equipamento Piezowave 2:
5000 impulsos no total, com um fluxo de energia entre 0,16 mJ/mm² e 0,702 mJ/mm² (consoante a tolerância do paciente) e a 0 mm de penetração.
Os 5000 impulsos totais são distribuídos da seguinte forma:
2500 impulsos com sonda linear G2 ao longo dos corpos cavernosos a 0,16 mJ/mm².
Caso se disponha de sonda G4 ou G6, realizam-se 2500 impulsos a 0,7 mJ/mm² (consoante a tolerância do paciente), distribuídos pela placa.
Nota: Se não se dispuser de sonda focal, deve realizar-se o total de 5000 impulsos com a sonda linear.
Complemento ao tratamento: Tadalafil 5 mg (dose diária).
Até ao momento, as opções terapêuticas disponíveis não têm sido muito convincentes. Quando as tentativas de tratamento farmacológico, incluindo injeções, não apresentavam sucesso, a única opção restritante era o tratamento cirúrgico, de custo elevado e, por vezes, complexo.
Com a introdução da terapia de ondas de choque, temos agora ao nosso alcance uma modalidade de tratamento que pode ser utilizada como alternativa às abordagens anteriores.
Estudos iniciais demonstraram que a ESWT alcança uma redução significativa da dor após apenas algumas sessões e pode prevenir a progressão da doença. Além disso, experiências clínicas e relatos de utilizadores demonstraram que é possível obter uma correção de alguns graus na curvatura.
As calcificações encontram-se frequentemente nas chamadas placas, que são tratadas diretamente com ESWT. Através desta tecnologia, é possível interromper os processos inflamatórios dolorosos e a progressão da patologia, bem como iniciar a regeneração do tecido erétil.
ESTUDOS
C. Ratz, C.H.R. Ratz, S. Thieme-Martens, 654 Long-term Results of Patient Satisfaction After Low-intensity Shockwave Treatment (Li ESWT) of Erectile Dysfunction and Peyronie's Disease in an Urological Private Practice, The Journal of Sexual Medicine, Volume 15, Issue Supplement_3, July 2018, Page S378, https://doi.org/10.1016/j.jsxm.2018.04.561
Kuehhas FE, Weibl P, Georgi T, Djakovic N, Herwig R. Peyronie's Disease: Nonsurgical Therapy Options. Rev Urol. 2011;13(3):139-46. PMID: 22110397; PMCID: PMC3221554.
Briganti, A., Salonia, A., Zanni, G. et al. A Critical assessment of extracorporeal shock-wave therapy for Peyronie’s disease. Curr sex health rep 1, 19–23 (2004). https://doi.org/10.1007/s11930-004-0014-3
Abdessater, Maher; Akakpo, William; Kanbar, Anthony; Parra, Jérome; Seisen, Thomas; Chartier-Kastler, Emmanuel; Drouin, Sarah J; Roupret, Morgan. Low-intensity extracorporeal shock wave therapy for Peyronie's disease: a single-center experience. Asian Journal of Andrology 24(1):p 45-49, Jan–Feb 2022. | DOI: 10.4103/aja.aja_40_21